A equipe do Núcleo de Odontologia Hospitalar e da Fonoaudiologia do Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago, vinculado à rede Ebserh, promoveu uma ação associada à programação do mês de combate e prevenção ao câncer de boca e garganta nesta quarta-feira, 25, circulando pelos ambulatórios da instituição com uma brincadeira interativa para explicar sobre a campanha.

Ao conversar com os pacientes, os profissionais explicavam os motivos da campanha, chamada de Julho Verde e distribuíam balões para que os pacientes estourassem. Em cada balão havia uma pergunta que os visitantes eram convidados a responder. Em seguida, os colaboradores do HU esclareciam a resposta e abriam espaço para novas perguntas. Os participantes eram brindados com balas distrubuídas pela equipe.

De acordo com a coordenadora do núcleo, Mariah Luz Lisboa, a ação foi um sucesso, com envolvimento imediato dos pacientes. “Ficamos surpresos com a participação das pessoas, que ouviram atentamente as explicações e fizeram perguntas”, disse a cirurgiã-dentista, acrescentando que as principais perguntas eram sobre os sintomas e formas de detecção precoce da doença.

O Núcleo de Odontologia Hospitalar, que está fazendo parte da campanha Julho Verde, atende uma média de 15 pacientes oncológicos por semana, que recebem diversos serviços dos profissionais, desde o diagnóstico ao tratamento de sequelas ocasionadas pela terapia para combate ao câncer.

O núcleo, que surgiu a partir do crescimento da oferta de serviços para pacientes oncológicos no hospital universitário, atualmente faz o diagnóstico, atendendo pessoas de todo o estado de Santa Catarina, e encaminha para o médico especializado, quando é o caso.

Outra frente de trabalho desenvolvido pelo Núcleo de Odontologia Hospitalar é a adequação do meio bucal. “Esta parte é importante porque o paciente que vai se submeter a um tratamento oncológico precisa passar por esta fase, que consiste, entre outras coisas, na remoção dos focos sépticos para evitar problemas no futuro”, explicou a coordenadora do núcleo.

Segundo ela, além do trabalho de diagnóstico e preparação para tratamento, o núcleo atende pacientes que necessitam de suporte durante a terapia. Neste caso, é feita aplicação de laser, com objetivo de amenizar os efeitos colaterais da rádio ou quimioterapia. Complementando estas ações, os pacientes oncológicos também têm acesso a tratamentos de sequelas, como parte da estratégia de reabilitação oferecida pelo núcleo.

“Todas estas ações estão disponíveis para os pacientes e o serviço vem crescendo gradativamente, com uma demanda também crescente”, explicou Mariah Lisboa, que aproveitou o lançamento do Julho Verde para falar sobre a importância do auto-exame, da adoção de práticas saudáveis (já que 97% dos cânceres de boca e garganta são causados pelo cigarro, por exemplo) e da informação constante.

A campanha do Julho Verde está sendo organizada no Brasil pela Associação de Câncer de Boca e Garganta (ACBG) e várias organizações, visando a informar sobre o câncer de cabeça e pescoço, falando da promoção da saúde, prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação deste agravo que tem como principais fatores de risco o tabagismo, o consumo de álcool e as infecções por HPV.

De acordo com os organizadores do Julho Verde, o tema deste ano faz uma referência ao fato de que estes cânceres, responsáveis por 10 mil mortes por ano no Brasil, afetam a qualidade de vida dos pacientes durante e após o tratamento, com comprometimento da fala, além de causar outras sequelas funcionais e psicológicas.

Com este quadro e com estes fatores de risco muito presentes entre a população brasileira, o objetivo principal do Julho Verde é alertar para a necessidade de diagnóstico precoce. “Em 60% dos casos, a doença já está mais avançada quando é descoberta”, explicou a presidente da ACBG Brasil, Melissa A. R. Medeiros, acrescentando que as chances de cura são maiores se a doença for detectada no início.

Segundo ela, a campanha pretende alertar para a possibilidade de auto-exame, através do qual é possível identificar se existem feridas na boca que não cicatrizam há mais de duas semanas ou inchaços no pescoço.

A presidente da ACBG disse que outro objetivo da campanha é estimular o acesso a tratamentos inovadores, e suporte aos pacientes pós-terapias. “Além das terapias tradicionais, nos últimos anos, algumas drogas promissoras têm conseguido melhorar o prognóstico dos pacientes, com uma ação mais eficiente e menos agressiva ao organismo, como as imunoterapias e terapias-alvo”, explicou.

No Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago, a campanha está sendo conduzida pela Unidade Cérvico-facial, por meio dos serviços de Odontologia Hospitalar, Cirurgia de Cabeça e Pescoço e pelo Curso de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

 

Acesse a galeria de fotos