18 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, confira o que a Equipe Acolhe faz por estas vítimas.

18 de maio de 1973, Araceli Crespo, 8 anos de idade, foi raptada, estuprada e morta em Vitória, capital do Espírito Santo. Os agressores de classe média alta nunca foram punidos. O país ficou chocado com o crime bárbaro cometido e desde então o dia 18 de maio é destinado ao ‘Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes’.

Independente de ser adulto ou criança, sofrer qualquer tipo de violação é intolerável, portanto mesmo que seja uma situação complexa, a pessoa violentada (ou no caso de uma criança, o responsável por ela) deve denunciar. Quando criança, as denúncias podem ser encaminhadas para o Conselho Tutelar ou no Disque Denúncia Nacional, o Disque 100. Já no caso das mulheres, é recomendado que o crime seja denunciado para o número 180, vinculado à Secretaria de Políticas para Mulheres.

No Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago, o HU/UFSC, existe um grupo especializado em atendimentos destes casos. A Equipe Acolhe (Equipe Multidisciplinar de Atenção às Pessoas em Situação de Violência Sexual do HU) atualmente é constituída por uma psicóloga, cinco enfermeiras, uma médica obstetra, uma médica pediatra e uma assistente social.

Criada nos anos 2000 para dar suporte a pessoas em situação de vulnerabilidade, a Equipe foi originado a partir de uma iniciativa tomada por profissionais da área da saúde, como o pediatra Gerson Coelho, a enfermeira Silvana Pereira, a assistente social Carmen Blase, o obstetra Sérgio Steffens e pela atual coordenadora, a enfermeira Lígia Silveira Dutra.

Após a criação da Equipe Acolhe, o HU/UFSC, pioneiro na elaboração e implantação da ‘Rede de Atenção às Pessoas em Situação de Violência Sexual’ (Raivs) em Florianópolis, tornou-se referência no atendimento à estes casos.

Desde quando foi oficializada em 2014, a Equipe passou por diversas capacitações oferecidas pelo Ministério da Saúde, pela Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, pela Prefeitura Municipal de Florianópolis, além de sediar o encontro de lançamento da terceira edição do ‘Protocolo Raivs’. Todas as capacitações realizadas objetivam realizar um trabalho multidisciplinar no HU/UFSC, além de seguirem as diretrizes da Política Nacional de Humanização (PNH), criada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que tem como intuito evitar a revitimização, que é quando a vítima desses abusos é questionada de forma equivocada sobre o ocorrido, fazendo-a relembrar daqueles momentos doloridos de sua vida.

Ainda para este semestre, os profissionais da Equipe Acolhe e o público interessado, receberão capacitação com os temas ‘Atendimento Integral às Pessoas em Situação de Violência Sexual’ e ‘Atendimento Integral à Interrupção Legal da Gestação’.

Segundo a enfermeira Lígia, os casos de violação contra crianças ocorrem por mais tempo e frequência, portanto torna os sinais mais visíveis, principalmente em relação ao comportamento. Outra informação espantosa é que 44% destes casos ocorrem dentro de sua própria casa, sendo 30% dos abusadores amigos ou conhecidos da família da criança, quando não são seus pais ou padrastos (correspondente a 14% dos casos).  Já quando as vítimas são as mulheres, os abusos geralmente são mais pontuais.

Texto por Luna Mariah Zunino/ Estagiária em Jornalismo/ HU/UFSC.