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INTRODUÇÃO

A saúde é resultado do conjunto de condições em que vivem as pessoas, ou seja: moradia, alimentação, transporte, lazer, etc. Sendo assim não se constitui numa condição individual, mas resultado de um processo coletivo. Constata-se que, em nossa realidade, cada vez menos as pessoas tem acesso a estas condições básicas de sobrevivência, implicando no aumento da demanda em hospitais e postos de saúde; o aparecimento das doenças é decorrente desta situação de vida, e interfere na capacidade do indivíduo de lidar com o seu cotidiano. Quando há necessidade de hospitalização ocorre uma interrupção na vida "normal", haja vista que a pessoa é inserida num contexto diferente, no qual o controle das necessidades básicas de seu cotidiano não é mais seu, a normatização e a rotina hospitalar constituem-se em novo referencial ao qual tem que adaptar e se submeter.

O Serviço Social neste contexto, tem como funções principais a prestação de serviços assistenciais concretos e a escuta qualificada, decodificando anseios e angústias da população atendida no HU.

Quando nos referimos a esta decodificação não estamos restringindo o que chamamos de escuta qualificada ao trabalho imediatista e restrito a casos individuais, onde estes "sentimentos" tem um sentido mais restrito à área psicológica; estamos sim referindo uma questão mais ampla, que permeia os conceitos de direito/cidadão, resgatando a condição de sujeito histórico do usuário e não o de mero depositário dos serviços de saúde.

Nesta perspectiva, a cultura é mediação do social, do econômico e do político. Na mediação se expressam as contradições do senso comum decorrentes da incorporação parcial de comportamentos "ditados" pelos que exercem o poder, o que evidencia que o comportamento humano é formatado socialmente.

Ao fazer a leitura da realidade hospitalar, ou mais amplamente da realidade social afetada a condição Saúde x Doença, o serviço social atua à luz da perspectiva acima referida, evidenciando o processo pelo qual passa o usuário do HU, no qual "nosso saber" ou o "saber médico institucional" é incorporado sem o entendimento de seu significado, induzindo à concepção fragmentada e restrita ao que é "ideal para si". A internalização do padrão cultural ditado afasta o usuário de sua cultura e, quando despossuído dela torna-se despossuído de projetos de interesse coletivo, de compromisso com uma ordem social necessária à garantia da condição humana de cidadão.

Sob esta ótica, é fundamental a intervenção do Serviço Social, desde a entrada do paciente no HU, quer para tratamento ambulatorial ou internação, identificando aspectos a serem trabalhados e servindo de ponte entre os usuários e a instituição: mediando a cultura dominante, a do saber médico e a cultura popular, do senso comum vivenciada pelo usuário.

Tendo em vista estas questões, o Serviço Social está estruturado de forma a atender as seguintes áreas no HU:

INTERNAÇÃO: Clínicas Cirúrgicas I e II, UTI, Clínicas Médicas I, II e III, Pediatria, Ginecologia e Maternidade.
AMBULATÓRIO: Plantão e Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa, Ensino e Assistência Geronto-Geriátrica.
ATENÇÃO À PATOLOGIAS ESPECÍFICAS (Diabéticos e Renais).
HEMOTERAPIA ( banco de sangue)
VOLUNTARIADO
EMERGÊNCIA
PLANEJAMENTO FAMILIAR
COMISSÃO DE ATENDIMENTO À CRIANÇA VÍTIMA DE MAUS TRATOS
NÚCLEO DESENVOLVER

A atuação do Serviço Social se dá nestas diferentes áreas em função do processo trabalho no HU estar dividido desta forma. A inserção do Serviço Social nestes espaços ainda decorre de duas ordens; uma interna resultante da divisão do trabalho entre os integrantes da equipe multiprofissional e outra da demanda da clientela (população atendida). Para atendimento dessa demanda o Serviço Social se utiliza dos instrumentos: entrevista, reuniões, visitas e contatos. Toda a ação profissional está fundamentada nos princípios éticos-políticos que embasam o Serviço Social enquanto profissão circunscrita na divisão sócio-técnica do trabalho.